Os desafios da chegada do segundo filho

Por Mara Lucia

Minha filha Lais esta 3 aninhos e eu e o Guilherme estávamos um tanto ansiosos para encomendar mais um filho. A razão desta ansiedade é muito simples: Nós queremos criar os dois juntos!

Até ai tudo bem pois a Lais embora não pedisse para ter um irmão é uma criança que gosta de conviver, é super carinhosa e meiga. Por isso pensamos que seria muito fácil a adaptação.

Quando o meu teste deu positivo as coisas começaram a mudar um pouco em casa, começamos quando eu completei 3 meses de gestação, eu e o Guilherme a contar para a Lais que ela teria umirmãozinho, que estava temporariamente morando na minha barriga. E como você pode imaginar com 3 anos aninhos ela não entendeu nada, mas começou a falar para as visitas que tinha um irmãozinho na barriga da mamãe e tudo seguiu na mais absoluta paz e fofura, como você pode imaginar.

Mas como na vida nem tudo são rosas, entrei no sétimo mês e confesso que minha energia baixou um pouco, tinha que levantar cedo, levar a Lais para escola, voltar cuidar da casa e correr para organizar as coisas do bebê, o quartinho já estava quase pronto, mas eu estava esgotada. Ainda no meio de tudo a Lais faria aniversário e tinha que preparar a festa, convidar as pessoas. 
Acontece que nesta ultima etapa da gestação a Lais estava um grude comigo, queria ficar o tempo todo no meu colo, começou a ir para minha cama no meio da noite e eu comecei a notar que o comportamento dela estava mais infantilizado, ela nunca foi de chupar chupeta, mas pegou a chupeta do meu sobrinho e não queria devolver. Além disso ela entrou num ritmo de muito apego com o Guilherme também.

Neste momento percebemos o quanto estávamos colocando a Lais em 2º plano, com a correria do dia a dia o parto se aproximando, minha insegurança de dar conta de dois bebês começou a pegar e foi ai que procurei ajuda da minha mãe, contei tudo que estava acontecendo e mudamos com a Lais.

Eu tenho que te contar o que nós fizemos pois se todos os pais tivessem esta noção não teríamos irmão com ciúmes de irmão e este mal não seria levado para vida adulta.

Começamos a preparar a chegada do Davi, só que agora não a chegada material, berço, carrinho, obstetra e ensaio de gestante. Começamos a preparar a chegada emocional do Davi no coração da Lais.

Como nós fizemos isso?

Comprei um presentinho para ela, algo bem simples mas que sabia que ela ia amar: Um rolo de papel branco para desenho, preso em um suporte com um kit de giz de cera. Embrulhei tudo num papel presente cheio de florzinhas, delicado do jeito da Lais. Ah! Já ia me esquecendo, inclui no pacote um pequeno 2 pequenos ursinhos de pelúcia, que depois explico o porque. Quando chegamos em casa depois do banho, jantamos e o Guilherme e eu nos ajoelhamos no chão para ficar na altura dela, olhando naqueles lindos olhinhos assustados:

-Filha sabe o Davi seu irmão?  Ele nos pediu para entregar um presente para você!
-Presente papai?

Neste momento entregamos o presente e explicamos que o Davi esperava ver lindos desenhos da Lais quando nascesse e que ela estava recebendo 2 ursinhos, um dele e um dela, e que ele gostaria muito que ela cuidasse do ursinho com muito carinho para que quando ele chegasse os dois pudessem brincar juntos.

Montamos o suporte para o papel e a Lais começou a brincar e desenhar quase que instantaneamente. depois deste dia ela mudou completamente. Eu comecei a prepará-la para o nascimento dizendo que o Davi ia chegar e que nós duas iriamos cuidar dele, o quão preciosa ela era pra mim e que meu coração era tão grande que era capaz de amar até o universo e que eu a amava até o universo ida e volta, eu queria que ela entendesse que mesmo que eu tivesse amamentando o Davi, tivesse cuidando dele que eu a amava infinitamente. Pois o ciumes é insegurança e a insegurança nasce da dúvida do amor. Se preenchermos nossos filhos com a certeza do nosso amor eles terão o tanque emocional preenchido e aprenderão a amar também.

E foi isso que aconteceu quando o Davi nasceu. A Lais me ajudava em tudo, a dar banho, na troca de fraudas, até o ponto que eu deixava ela trocar também, ficava ali do lado, apoiando e acreditando nela, assim como ela acredita em mim. E posso dizer que foi a melhor coisa que fiz.

Dois anos se passaram e a Lais já esta com 6 aninhos, é uma super parceira, tem uma relação maravilhosa com o irmão e raramente se irrita com ele, já não posso dizer o mesmo do Davi que vive em cima da Lais.